Não me envergonho de ser um eterno aprendiz como diz o poeta. Alguém eternamente em construção...
Já fui um garimpeiro, já fui um livreiro..."hoje trago apenas uma pedra no meu peito, não sou mais um sonhador...chego a mudar de calçada, quando aparece uma flor... e dou risada de um grande amor" (Chico Buarque)... Será?
Eu me declaro um invejoso.
Tenho inveja (se é que existe inveja boa) do talento de algumas pessoas em colocar numa folha em branco ou numa pauta, as emoções sentidas num determinado momento.
Eu não conhecia esta música do Lenine e ontem ao ouvi-la tive um momento de abdução, como se tomado completamente por ela.
Nada mais existia a não ser o mergulho profundo nesta paz sugerida por ela...
Há exatos 350 dias atrás, estabeleci um propósito para a minha vida e hoje eu comemoro o pré-aniversário desta decisão. Nada grandioso, mas que envolve uma disciplina comigo e com minhas angústias...
Em alguns momentos foi duro, mas nada que eu não pudesse aguentar.
E agradeço a você em especial figurinha por ter sido o estopim desta decisão.
E este dia de sol irradiando nosso plexo faz-me sentir que outros 350 dias virão.
Que este fim de semana e este "restinho" de ano sejam de crescimento e agradecimento a todos nós.
Creio haver um lugar onde nossas esperanças e sonhos se tornam realidade. Este lugar é por acaso dentro de nós, pois só tornamos realidade exterior aquilo que primeiro fazemos existir internamente. E é nesta busca incessante por eles (sonhos e esperanças) que orientamos nossas vidas!
Alguns creem que o nosso futuro são só as próximas 24 horas, mas é para mim um horizonte muito curto. Você não sonha em ter um filho, construir uma casa e até mesmo encontrar um amor verdadeiro dentro deste espaço de tempo. É como se fossemos tecendo uma grande trama onde tudo vai se encaixando e fazendo sentido...Pouco a pouco, mas ao longo do tempo, o futuro e o presente vão se fundindo a ponto de misturarmos o que é sonho e o que é real.
É o que chamamos simplesmente de VIVER!
Eu estava hoje tomando um café tardio com uma amiga, que me contava do seu momento de vida.
Alguns projetos profissionais ainda embrionários, um dinheiro que pode estar de menos, mas o que mais a incomoda neste momento é a falta de um amor... Um amor de verdade, destes que a gente tem e que agregam novas cores nesta aquarela da vida... E daí me veio a frase... O amor dá cor as nossas vidas.
Sem amor, nossa vida é uma grande gravura em preto e branco!
E o fim é belo incerto...
Depende de como você vê!
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só.
Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você
Acho que eu tenho uma dificuldade muito grande em aceitar que o tempo tenha passado tanto.
Sempre achei ridículo quando as pessoas usavam a expressão "jovem de espírito", mas hoje quando penso nisto, não consigo reconhecer esta pessoa que aparece diante de mim no espelho e muito mais a imagem que possam ter dela. Tenho às vezes uma reação de desconforto quando vejo alguém com a minha idade e não me identifico hora nenhuma com ela.
Mas devo dizer que me sinto chocado, quando descubro que alguém possa me chamar de véio...(com exceção da minha filhota, que às vezes usa inadvertidamente comigo esta terminologia do mundo mano). Olho do lado ou tento imaginar a quem estão se referindo quando usam tal tratamento.
Mas não posso culpá-los... pois sou eu que tenho que me reconhecer neste corpo que habito.
Sinto que é chegada a hora de me desfazer da imagem de menino que tenho de mim...um eterno adolescente.
AND KEEP WALKING
Por mais que eu me esforce, não consigo entender muito as pessoas... Jogo fora os textos em que me arvorava ser um entendedor de gente... Na verdade, creio que busco uma coerência nas pessoas, que sequer encontro em mim... Insisto em querer que sejam o que eu gostaria que elas fossem, que me entendessem como creio que sou, pois sabê-lo de fato é uma tarefa inalcançável. E não tenho a grandeza de aceitar aquilo que me imputam que eu não consiga ver em mim...Sou sim um ser em construção (já me disse uma poeta) e me refaço tantas vezes quantas necessárias...Mas não creio que eu chegue a trocar os tijolos e os alicerces.. O máximo que faço é abrir paredes e caiar alguns muros...na esperança de arejar e clarear meu ambiente interno, mas sempre na tentativa de poder abrigar o outro na sua plenitude e com as janelas abertas, para que possa sempre entrar o sol do novo!