quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A senhora das palavras...

Naquele tempo, as pessoas se reuniam ao redor daquela senhora, para dela conseguirem os casacos de palavras que ela tão bem tecia e que magicamente vestia a todos que a procuravam.
Noites após noites, ficavam à espera da distribuição de tais casacos,   que sempre acontecia ao redor da meia noite.
Mas, para mantê-los sempre agasalhados, ela às vezes distribuía pequenos mimos durante o dia e até promovia alguns jogos de palavras, onde exercitava à exaustão o seu imenso poder de,  através delas, manter as pessoas enredadas no mundo que criava.
A única coisa que fugia ao seu controle era que às vezes se sentia completamente perdida,entre o que era e o que imprimia nos casacos...
Como dizia o poeta,só 10% era mentira...O resto era inventado..
E como teve um momento que teve que se  se afastar dos  casaquinhos,ficava com as mãos vazias ,não tendo a quem agasalhar...E aí,as linhas da vida que tecia com palavras,  ficavam apenas ecoando na sua cabeça, à espera do momento que pudessem tomar vida de novo.
Só que as pessoas,  como no show do Truman, passaram a tocar as suas vidas mesmo sem os tais casacos..
.Sim...Eram as pessoas que davam sentido aos casacos.
E não os casacos que davam sentido às suas vidas como imaginava a senhora!!!

2 comentários:

placco araujo disse...

Me ocorreu lembrar, que ao contrário do que possa parecer, eu também já acompanhei (e às vezes ainda acompanho) esta distribuição de casacos, pois ela os faz muito bem.

O tempo das maçãs disse...

Linda essa construção, Placco e concordo com ela.O manto de palavras não cumpre sua função se não houver quem precise dele.

Beijo, querido e um lindo domingo.